Trabalho da Arquiteta e Urbanista Carolina Bortolotti de Oliveira sobre o Solar “Museu Histórico e Pedagógico Amador Bueno da Veiga” também conhecido como “Solar da Baronesa de Dourados”

Profa. Carolina Bortolotti de Oliveira em frente ao
Museu após o incêndio do dia 21/06/2010

Importante marco histórico e arquitetônico do município, o Solar da Baronesa de Dourados constituia o único remanescente da arquitetura residencial urbana preservado pelo IPHAN(Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), desde a década de 1960.

O edifício, construído quando houve a implantação da malha ferroviária e a expansão da economia cafeeira no interior paulista, apresentava uma técnica construtiva peculiar, com taipa de pilão(pavimento térreo), taipa de mão(divisórias internas) e alvenaria de tijolos(andar superior).

Quanto ao estilo arquitetônico, apresentava tanto elementos característicos do período colonial, como o beiral, a telha capa-e-canal, as janelas guilhotinas e o forro saia-e-camisa; quanto do Império, como a porta central com bandeira em arco pleno, sacada com guarda-corpo em ferro fundido, além dos gradis, porões e jardim lateral.

Esse modelo se difundiu durante o período cafeeiro e a própria estrutura do imóvel, com suas dimensões avantajadas e a localização privilegiada, denotava a distinção política e o status social dos ricos fazendeiros na sociedade.

Geralmente os sobrados não faziam uso residencial do pavimento térreo, que era utilizado para fins comerciais ou depósitos. Internamente, tanto os elementos decorativos como o mobiliário muitas vezes eram importados ou inspirados nos modelos europeus.

Breve histórico:

No final do século XIX, o Solar da Baronesa abrigou uma das mais distintas e influentes famílias paulistas radicadas em Rio Claro: os Oliveiras Borges, vinculados ao Visconde de Rio Claro e ao Conde do Pinhal.

A partir de 1850, as normas higienistas e de saneamento básico começaram a ser divulgadas e as moradias, de um modo geral, passaram a apresentar novas condições de ventilação e de iluminação natural em seus cômodos.

É durante o segundo império que as questões urbanísticas também ganham espaço, como o arruamento, a adequação das fachadas e dos gabaritos das construções, assim como as novas formas de edificação, materiais e acabamentos decorativos que passam a ser incorporados nos projetos arquitetônicos.

Com cerca de vinte cômodos, a residência seguia um programa tradicional de distribuição interna: no pavimento térreo havia sala de visita, escritório, quartos próximos ao escritório, ao antigo salão de bilhar e à sala de jantar, sala de frente para o jardim, quarto de corredor, no pavimento superior havia sala de centro para a avenida, quarto contíguo à sala de jantar.

Finalizada em 1863, entretanto, a família do Barão não deixou a fazenda onde morava, alugando o casarão aos senhores Guilherme Lebeis Jr. e Pedro Alexandre Lebeis, que instalaram o Hotel D`Oeste. Inicialmente o casarão desenvolveu atividades comerciais no piso térreo, como lojas e armazém de café, enquanto o pavimento superior permaneceu como residência.

Em 1874, José Luiz Borges – o Barão de Dourados – foi morar com sua família no Casarão que havia construído, permanecendo lá até o seu falecimento em 1893. A Baronesa, por sua vez, ficaria no casarão até 1908, quando então se mudaria para São Paulo, embora os filhos continuassem morando no sobrado até 1916.

A partir da década de 1920, a residência passa a receber várias funções: de 1922 a 1924, os herdeiros da família alugaram o sobrado ao Colégio Minervino; o edifício foi então vendido ao educador Joaquim Ribeiro dos Santos, que nele instalou o Instituto Joaquim Ribeiro, entre 1926 e 1936.

Em 1937, a construção foi desapropriada pela Prefeitura de Rio Claro, passando a funcionar no local o Ginásio Municipal Joaquim Ribeiro. Entre 1863 e 1951, o antigo Solar serviu como sede do Tiro de Guerra e da Junta de Alistamento Militar.

Em 18 de dezembro de 1963, o casarão foi reconhecido como monumento nacional pelo IPHAN, após receber parecer favorável do Arquiteto Luís Saia, registrado no Livro de Tombo Histórico(inscrição n. 364, fl. 39, processo 00353/73).

A partir daquela data, a administração municipal destinou um novo uso para o edifício, transformando-o numa instituição pública, com a instalação do Museu Histórico e Pedagógico “Amador Bueno da Veiga”.

Créditos:
Carolina Bortolotti de Oliveira é Arquiteta e Urbanista, Especialista em Patrimônio Arquitetônico(2003) e Mestre em Urbanismo pela PUC-Campinas(2004). Professora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da ASSER – Rio Claro.

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