O Barão de Grão Mogol

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1923

Barão de Grão Mogol ou Gualter Martins Pereira foi Prefeito de Rio Claro no período de 1887 – 1890. Quando a República foi proclamada (15 de novembro de 1889), Rio Claro era governada pelo Barão de Grão Mogol.

Este texto foi escrito e declamado por Teresa Cristina Rosim Monteiro que desceu as escadas do Casarão de Grão Mogol interpretando Maria Angélica, esposa do Barão de Grão Mogol. A sua interpretação surpreendeu uma turma de visitantes da Estação Turismo.
Todos os visitantes puderam mergulhar na história e saber um pouco mais a respeito desta família que fez parte da história de Rio Claro e região.

Teresa Cristina Rosim Monteiro

“Antes de aqui residir
Campos cerrados, grandes florestas
Matas virgens houve de existir
Índios e colonos sem fim
Logo a vida firmou-se aqui

Com os fazendeiros, o açúcar
Com o açúcar lucros sem fim
E já estamos no século XVII
Aos poucos a região de Rio Claro prosperava
Era a cultura do café que nos aguardava
Grandes lavouras, muitos escravos
Muitos lucros, poucos cuidados

Ocorreu que em 1840 a sesmaria do Corumbataí foi desmembrada
Sendo o senador Campos Vergueiro responsável pela nova empreitada
Sua doce esposa, dona Maria Angélica
Muito esforçou-se para dar vida às novas terras
Sementes, frutos, tulha, café
Mas aos poucos a família endividou-se
Inúmeros empréstimos foram feitos ao London Bank

Meu marido, produtor de diamantes
Logo se adiantou e estas terras comprou
Para cá mudamos em 27 de agosto de 1881
Construímos um grande sobrado
Por fora, casa de pedra
Por dentro, paredes de taipa
À frente, nosso terreiro
Aos fundos, as senzalas
Tudo milimetricamente organizado
Para ser muito bem fiscalizado

Meu marido é homem sério
Foi Barão porque auxiliou o Brasil em guerras paraguaias
Era extremamente nacionalista
Foi primeiro monarquista
Mas então veio a República e tornou-se abolicionista
Primeiro fazendeiro rioclarense a libertar os seus escravos
Pena que pouco pôde viver esta vitória
Em 1890 faleceu
Era seu mais profundo desejo, segundo seu testamento
Que seus restos fossem trazidos ao cemitério de nossa nobre fazenda
E assim foi feito

Mas meu pobre coração entristeceu
Aos poucos fui definhando
Até que saí pelas ruas blefando:
Onde está o meu marido? Foi feri-lo, vou matá-lo!
Mas todos queriam me convencer do contrário
Minhas amas diziam-me que estava morto
Mas como poderia eu suportar tanto desgosto?
Aos poucos esmoeci
Até que em 1902 faleci”

Autora: Teresa Cristina Rosim Monteiro

Foto: Túmulo do Barão de Grão Mogol que está na Fazenda Angélica conforme a sua vontade.

4 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente no momento não tenho essa resposta, mas prometo pesquisar… se souber, por favor, nos conte! Adoramos as histórias de Rio Claro! A história do Barão de Grão Mogol é cheia de curiosidades! Temos muito a aprender ainda! Agradecemos a sua contribuição!

  2. Respondendo ao Claudio: Porque a Fazenda Angélica era uma gleba de terra única e pertencia a família Vergueiro. Foi desmembrada e vendida pelo London Banck após a falência da família. Angélica era o nome da esposa do Vergueiro. O Barão de Grão Mogol comprou apenas uma parte da Fazenda Angélica que ia até Araras,

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