Oferecimento:

Nome: VALTER GAMA
Data de Nascimento: 16/8/1946
Signo: Leão
Nº do sapato:
Cidade Natal:
Juliana / SP
Profissão: Basicamente, sou professor de Educação Física, mas tenho uma formação voltada para o futebol profissional

Nome do Pai: Benedito
Nome da Mãe: Ana
Estado civil : Casado com Maria Luiza
Empresa: O mais recente trabalho meu foi em Antígua e Barbuda, uma ilha do Caribe
Escolaridade: Escola Superior de Educação Física de São Carlos

Fale sobre sua carreira profissional:
Eu sou um ex-jogador de futebol profissional. Fui fazer Educação Física, virei técnico, preparador físico de futebol profissional, fui professor de 1o. e 2o. graus, depois de colegial também, aqui em Rio Claro, trabalhei em várias escolas (Diva Marques, Antonio Sebastião da Silva, Chanceler, no Antonio Bayeux, Irineu Penteado). Eu comecei minha carreira jogando na Internacional de Limeira, depois joguei no América de Rio Preto, Comercial de Ribeirão Preto, União Agrícola Barbarense, Velo Clube Rioclarense e Rio Claro Futebol Clube. Fui professor, fiz curso de técnico, várias técnicas desportivas, dentre elas o futebol, preparador físico de algumas equipes também profissionais, fui técnico, fui Diretor de Esportes e Turismo de Rio Claro (na época, não tinha Secretaria de Esportes) no governo Lincoln Magalhães, em 1984. Aí, nós ganhamos o Curso de Educação Física pra Rio Claro na UNESP e eu me formei professor de futebol do Curso de Educação Física da UNESP. Fiquei por 14 anos e me aposentei na UNESP como professor de Educação Física. Na carreira universitária, depois, eu fiz mestrado na Escola de Educação Física da USP de São Paulo. Depois, fiz doutorado na ECA, Escola de Comunicação e Artes da USP, e com o mesmo tema do futebol. Eu estudei, no meu trabalho acadêmico, o lado social do jogador profissional de futebol no Estado de São Paulo. Eu tenho quatro filhos, três são profissionais de futebol. Luciano, o mais velho, joga num time da quarta divisão da Itália, já é o terceiro ano dele lá. E agora foi o Daniel também (que é o último dos filhos homens), jogando num time também da quarta divisão de lá. O Daniel fez Educação Física aqui na UNESP e mestrado agora. Tem o Thiago, que jogou no São Paulo Futebol Clube. Jogou dois anos no Bremen da Alemanha, jogou no Brasiliense, e se machucou há dois anos atrás no Flamengo do Rio, e faz dois anos e meio que não joga, está se recuperando. E tem a Maria Carolina, que faz Educação Física na UNIMEP em Piracicaba, está no último ano. Ela é professora no Clube de Campo. Nós somos em onze pessoas na família que fizeram Educação Física. A Maria Luiza, minha esposa, também é professora de Educação Física.

O que você queria ser quando era criança?
Eu gostaria de ter sido médico, porque meu pai era farmacêutico e eu fui criado dentro de uma farmácia. Trabalhei até os 14 anos com farmácia, aplicava injeção, fazia uma série de coisas. Mas segmentei para o esporte, tranquei os estudos com 18 anos por causa do futebol e voltei a estudar com 24. E aí fui fazer Educação Física numa seqüência lógica, porque já estava no esporte.

Quem são os seus exemplos profissionais?
O Brasil sempre teve grandes profissionais. Na minha área especificamente, do futebol, há grandes técnicos, preparadores físicos. Como Telê Santana, Osvaldo Brandão na minha época; Rubens Minelli. Como preparador físico, podemos falar Moraci Santana, que está hoje na Seleção Brasileira; o próprio Zagallo. Como atleta, o Pelé, é o grande astro, como foi Rivelino também, Ademir da Guia. Nos dias de hoje, tem o Amoroso no São Paulo. E meus filhos! Em primeiro lugar, meus filhos, né? (risos) Tem muita gente.

Quem são os seus exemplos pessoais?
Minha vida foi segmentada por algumas pessoas aqui de Rio Claro. Basicamente, um nome que me marcou muito foi Armando Luiz Bonani, que era radialista aqui em Rio Claro, muito famoso, que fez o Show do Meio-Dia. Depois, tem o professor Álvares Gracioli, que me ajudou muito também quando eu fui pra Inter de Limeira. Na área política, talvez possa falar de Ulisses Guimarães, que eu sempre admirei e respeitei, rioclarense, a gente tinha uma amizade, tinha até um certo grau de conhecimento. Numa seqüência lógica política, trabalhei dois anos com Lincoln Magalhães. Na área educacional daqui de Rio Claro, Kal Machado, que fez o Anglo; o Bellan, também, Asdrúbal Bellan, a gente trabalhou junto por basicamente dez anos no Centro de Ensino Novo Triunfo, que era o Anglo. A gente fez Educação Física juntos, eu e a Maria, no Anglo.

Qual é a prioridade da sua vida?
Qualidade de vida, viver com qualidade.

Frase que mais gosta:
Eu poderia até plagiar. Eu gosto muito, em relação ao trabalho, e aí estaria plagiando o Luxemburgo (Wanderley Luxemburgo, atual técnico de futebol do Real Madrid, clube espanhol): “Nada resiste ao trabalho”.

Pessoas que marcaram a sua escolha profissional:
Eu sempre fui apaixonado por futebol. Com nove anos, um vizinho nosso levou a mim e meu irmão para assistirmos a um jogo do Corinthians aqui, do misto, e aí me apaixonei pelo Corinthians, eu já gostava muito de futebol. Então, foi uma seqüência lógica. Coincidentemente, foi uma época minha de jovem em que o Brasil se torna campeão do mundo em 1958 e aí repica em 1962. E o Corinthians é um time que conquista muito. Então isso, naquela época, a gente não tinha muita alternativa. Era brincar e ouvir rádio. Não tinha televisão, não tinha esse advento. Eu sempre vi que o esporte dependia da saúde e que podia abrir as portas. O esporte é um canal extraordinário pra você estabelecer relacionamentos, influências que você possa utilizar e se acertar, coisas que meus próprios filhos possam segmentar em cima disso.

Você acredita que o Brasil é o país do futuro?
Eu acho que o futuro está muito vinculado ao presente. A gente que teve uma experiência internacional muito forte (vivi quase cinco anos fora do Brasil), eu acho que não só o Brasil, mas quem faz a bem da verdade somos nós. O Brasil é um país que oferece muitas oportunidades, onde o lema mais comum é: “se trabalha, vive; se não trabalha, também vive”. A situação é que a oportunidade está aí. E um questionamento também muito forte é que as pessoas reclamam muito das questões e oportunidades. Eu desconheço uma pessoa que queira trabalhar e que não consiga trabalhar. Eu, quando encerrava os meus cursos --- talvez aqui até sirva também pra alguma coisa --- aqui da Universidade, eu colocava que a minha escola de Educação Física foi muito difícil, porque era uma escola muito pobre, em termos de requisitos pedagógicos e metodológicos. E o curso aqui de Educação Física da UNESP é extraordinário, tanto é que é um dos primeiros do país. Então a minha última fala para os meus alunos sempre foi essa: que, por um lado, me entristecia muito de estar com eles e ver o desinteresse deles em relação ao curso que eles tinham, porque eu tive muita dificuldade pra fazer o meu curso. E, por outro lado, eu ficava muito alegre pelo desinteresse dessa atual juventude, não tem como me faltar emprego, né? (risos) Quanto mais pessoas desinteressadas, melhor. Quem quiser trabalhar trabalha.

Maior alegria da vida / o dia mais feliz:
Pra mim, os dias mais felizes foram indiscutivelmente o nascimento dos meus quatro filhos.

Filosofia de vida:
Eu costumo afirmar para os meus filhos --- talvez seja até um paradigma ---que com sentimento não se brinca. Porque sentimento é assim... quando você fere alguma coisa, bate e volta, muito depressa até, depressa até demais. Mas é basicamente não prejudicar as pessoas, ser honesto, ser sério e, evidentemente, fazer as coisas sem pensar em estar querendo receber alguma coisa. E normal e lamentavelmente, as pessoas são criadas de forma a entender --- como eu costumo dizer --- que a rua tem apenas uma mão, só a mão dela e que não tem a da volta. Mas a rua tem que ter duas mãos: uma vai e outra volta.

O que você acha da educação das pessoas hoje em dia?
Eu acho muito complexa, porque a comunicação, a globalização influenciam diretamente como canal de informação. E informação, no meu entender, não é educação. E, conseqüentemente, também, dada a vontade das pessoas quererem fazer a vida muito depressa, estão esquecendo de educar. E aí estão transferindo responsabilidades. E eu acho que a escola não estava preparada para isso. Tem de haver uma retomada de escola, de educação, para que as pessoas assumam as suas responsabilidades enquanto educadores. É simples. Eu fui lá agora falar com uma professora que dá aula lá na UNIARARAS, que é uma ex-aluna minha, e nós temos visto: as crianças hoje não têm educação mais. Então, os pais colocam no Colégio Koelle ou então no Puríssimo e cria-se a obrigação de que a escola tenha essa função de educar, mas a escola não é suficientemente capaz. A criança passa muito pouco tempo, passa cinco horas na escola; aí, de repente, tem oito horas disponíveis. Quer dizer, as influências e a concorrência são muitas. Aquele absurdo daquela matéria da Globo, da Regina Casé, da paixão das crianças, vocês viram? É um problema muito sério. Acontece isso já, por causa das novelas: as crianças brincam de namorar com três, quatro anos, beijando na boca, coisas que vão deixar a moral meio prejudicada. Eu costumo dizer que, por causa também da televisão, nós não estávamos preparados para tanta informação. É uma concorrência muito desleal da televisão com os pais.

O que você acha fundamental para ser um bom profissional?
Você tem que ser sério naquilo que você faz. Qualquer atividade que você se prontifique a fazer, você tem que ter a consciência de que está fazendo o melhor de você. Então, você tem que esgotar sempre o máximo de recursos possíveis na busca desses objetivos. Você tem que ser conseqüente nisso. Porque o comum todo mundo está fazendo; o trivial todo mundo faz. O diferente ninguém faz. Vocês trabalham com comunicação, estão criando um site, criando um veículo. Quer dizer, quantas pessoas fazem isso? Quem faz a diferença é aquele que faz algo mais.

Cite um lugar preferido para passar as férias?
Tem muitos lugares, mas do que eu gosto mesmo é praia.

Do que você tem saudade?
Saudade? Tenho saudade da minha família, porque eu só tenho uma irmã agora, não tenho mais ninguém da minha família. Da minha família eu tenho saudade, meu pai, minha mãe, meus irmãos.

Se você pudesse viver em uma década, qual seria? Por quê?
Independente de todo o processo político que nós vivemos, a década de 70, de 80, pra mim, foram muito boas. Foi quando eu me casei, tive meus filhos, foi muito bom. (quase todos os filhos... A Carolina veio depois.)

Cite um país que considera modelo. Por quê?
Eu gosto muito da França, apesar de o povo ser um pouco “empinado”, ao contrário do italiano (não conheço a Espanha). Mas, em termos de estrutura, organização, é um dos países em que eu moraria, com certeza.

O que você gostaria de mudar na sua personalidade?
Eu acho que a idade em que eu estou muito difícil. Eu acho que tem que haver alguns ajustes apenas. (risos)

Você é favor do casamento gay?
Eu acho que é uma liberdade de expressão. Eu sou extremamente democrático. A meu ver, não sei se nesse momento muito radical em que a gente vive, muito agressivo, talvez a sociedade não esteja preparada. Mas eu não tenho nada contra.

Você é a favor do quê? É contra o quê?
Eu sou extremamente a favor da liberdade de expressão e sou contra qualquer arbitrariedade, que seja arbitrário, que seja imposto. Acho que as pessoas têm que ter possibilidade de se criar, de se expressar, de viver.

É filiado a algum partido político?
No momento, não. Aliás, estou filiado, não me desvinculei ainda, acho que do PL. Por questões não extremamente filosóficas, mas num momento eu fui fundador do PT aqui em Rio Claro, aí saí do PT, trabalhava com segmento que era do PL; pediram que eu me filiasse para dar um peso ao partido. Estou pra sair, também, estou pra fazer a minha carta de demissão.

Qual a sua religião? Por quê?
Eu sou crente. Eu creio em Deus.

O que falta em Rio Claro?
Eu acho que Rio Claro precisa se humanizar um pouco mais. Eu acho que faltou, não só a Rio Claro, mas de uma maneira geral, a gente perdeu um pouco esse sentido... eu não diria cidadania, mas essa humanização, de participação. Rio Claro hoje, como toda cidade de médio porte, convive com uma situação extremamente difícil por uma questão de identidade. Antigamente, nós todos nos conhecíamos. Hoje, não se conhece mais, porque não tem mais --- aí se vincula, e que é um problema muito sério --- a segurança, e que está influenciando grandemente no processo de desenvolvimento. Mas uma coisa é que não pode existir segurança se não houver educação. “O buraco é mais embaixo”. (risos)

Característica do povo rioclarense:
Eu acho que é um povo dócil, um povo muito bom, hospitaleiro. E, como todo segmento da sociedade, quando ela se impõe, tem as suas virtudes e os seus defeitos. Eu prefiro ficar com as virtudes.

Cite suas preferências:
FILMES: eu gosto muito de biografias; falta você ter exemplos que marcam; filmes de biografias, educacionais, ligados também a esporte. Terror, ne pensar; coisa ruim eu não gosto!
PROGRAMAS DE TV: eu gosto de jornais, todos informativos, desde que sejam bem ancorados
TIPO DE MÚSICA: gosto de todo tipo de música, música romântica, da minha época
CANTOR: Roberto Carlos, Altemar Dutra
CANTORA: Alcione, Gal Costa, Maria Bethânia, Nara Leão
PRATO PREFERIDO NO DIA A DIA: eu gosto de arroz e feijão mesmo
PRATO ESPECIAL: toda comida bem feita, com amor e com carinho
BEBIDA: cerveja, de vez em quando
PERFUME: Portinari, de O Boticário
COR: azul
FLOR: rosa
CARRO/MOTO: todo carro, andando, é bom
PAIXÃO: minha mulher
NAMORO/CASAMENTO: os dois fazem parte


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